wsl Medina machuca joelho após aéreo, mas domina rivais na Gold Coast


Medina machuca joelho após aéreo, mas domina rivais na Gold Coast

Jadson vence 1ª bateria do ano. Seis brasileiros caem na estreia da 1ª etapa do Circuito Mundial, mas têm lutam na repescagem: Filipinho, Wiggolly, Pupo, Italo, Ibelli e Ian Gouveia. Mineirinho ainda compete em Snapper Rocks

Três meses após o fim do Circuito Mundial de 2016, com o título do havaiano John John Florence, foi aberta a corrida pelo caneco de 2017 na Gold Coast australiana. A organização aguardou três dias para por em ação os tops da elite na primeira de 11 etapas do Tour, reservando aos amantes do surfe fortes emoções e alguns sustos, como a lesão de Gabriel Medina. Primeiro brasileiro a vencer nas direitas de Snapper Rocks, em 2014, o paulista de São Sebastião machucou o joelho direito ao falhar a aterrissagem de um aéreo e saiu do mar mancando. Mesmo com dores, ele provou o seu domínio no pico e venceu com sobras o havaiano Ezekiel Lau e o amigo Wiggolly Dantas, avançando diretamente à terceira fase. O fenômeno de Maresias recebeu o atendimento médico na área dos atletas e voltou para casa. Embora a WSL não tenha divulgado a gravidade da lesão, Medina terá mais tempo para se recuperar com a vitória na estreia.

O surfista contou com a ajuda de seu pai e treinador, Charles Saldanha, e de Wiggolly para deixar o local. Medina e Jadson André são os únicos dos nove brasileiros garantidos no round 3, enquanto outros seis representantes do país terão de lutar pela sobrevivência na repescagem, incluindo Filipe Toledo, campeão da etapa de abertura em 2015.

Gabriel Medina recebeu ajuda de Wiggolly Dantas e do padrasto e treinador, Charles Saldanha, após machucar o joelho (Foto: Reprodução/Instagram)

Gabriel Medina recebeu ajuda de Wiggolly Dantas e do padrasto e treinador, Charles Saldanha, após machucar o joelho (Foto: Reprodução/Instagram)

Jadson venceu a primeira bateria de 2017, deixando para trás o ano de altos e baixos. O potiguar enfrentou uma dura batalha para se manter na elite e garantiu uma classificação heroica em Sunset Beach, em dezembro, voltando renovado para a sua sétima temporada no Tour. O dia não foi bom para os brasileiros, que somaram cinco derrotas na estreia. Além de Filipinho e Wiggolly, Ian Gouveia, Caio Ibelli, Miguel Pupo e Italo Ferreira tropeçaram na estreia e tentarão uma nova chance na segunda fase. Adriano de Souza, o Mineirinho, ainda não competiu na Gold Coast.

Atual campeão mundial, John John Florence passeou diante dos australianos Connor O’Leary e Mikey Wright, irmão mais novo de Tyler e Owen Wright, integrantes da elite. O havaiano deixou os adversários em combinação nos primeiros minutos, conteve a reação do caçula da família Wright e foi administrando o placar até o fim. Com 16.83 pontos, Florence venceu com tranquilidade Mikey (13.50) e O’Leary (8.20), carimbando o passaporte para a próxima fase. Em uma bateria que uniu 14 títulos mundiais, 11 de Kelly Slater e três de Mick Fanning, o francês Jeremy Flores por pouco não estragou a festa dos medalhões. O atleta da Ilha Reunião assumiu a ponta do meio para o fim do confronto e saiu da água com a certeza da vitória. No entanto, Fanning conseguiu uma onda salvadora nos últimos segundos para chegar a 13.27, superando Flores (13.13) e Slater (11.20).

Medina não quis saber de zebra na estreia. O paulista de São Sebastião assegurou a liderança logo no início, viu o havaiano Ezekiel Lau assumir a dianteira, mas não esmoreceu e recuperou a ponta em grande estilo, mostrando uma leitura perfeita do mar em Snapper. Consistente, o local de Maresias dispensou um 7.50, ganhou 7.83 e, por último, um 8.67 ao se entoncar em um tubo e fechar com uma sequência de manobras fortes e verticais. Wiggolly Dantas espancou as paredes das ondas com um backside afiado, mas ficou dependendo de uma combinação de resultados.

O paulista preocupou em uma queda depois de um aéreo full rotation (variação do giro em 360º), contudo, seguiu firme até o fim e somou 16.50, deixando Wiggolly (10.90) e Ezekiel Lau (10.70) em combinação. Medina, que já surfou bateria no Havaí com uma fratura na perna, saiu da água mancando por ter caído de mau jeito e foi direto para a casa se recuperar.

Jadson André reencontra o caminho das vitórias

Agressivo, Jadson se impôs sobre o taitiano Michel Bourez e o americano Conner Coffin do início ao fim da disputa. O local da vila de Ponta Negra, em Natal (RN), parecia insaciável e não poupou esforços para pegar uma onda atrás da outra. O mar estava difícil, mas o potiguar mostrou uma boa leitura nas direitas de Snapper Rocks. Jadson teve de tirar leite de pedra e, com as notas 5.93 e 5.53, somou 11.46 pontos para superar Bourez (10.27) e Coffin (9.40), avançando diretamente à terceira fase. Os rivais terão de lutar pela sobrevivência na repescagem (segunda fase).

Jadson André venceu a primeira bateria do ano na Gold Coast australiana (Foto: WSL/Ed Sloane)

Jadson André venceu a primeira bateria do ano na Gold Coast australiana (Foto: WSL/Ed Sloane)

Filipe Toledo cai diante de Frederico Morais

Cotado ao título na primeira etapa da perna australiana, Filipinho foi surpreendido pelo português Frederico Morais, em uma bateria com o australiano Adrian. Apesar de estreante no Tour, o surfista de Cascais não é uma zebra e já foi responsável por derrubar gigantes como Mick Fanning e Kelly Slater quando competia como convidado. Toledo e Morais fizeram uma dura batalha e se alternaram na liderança. Era evidente que a disputa seria definida no detalhe. No fim, Toledo estava na ponta, com 15.10 pontos. No fim, Frederico usou a prioridade em uma boa direita, Filipinho saiu do caminho para não cometer a interferência. O português ganhou 6.97 e somou 15.70, retomando a dianteira no momento decisivo. Filipinho ainda teve tempo de investir em uma direita em busca do 8.11, encaixou algumas rasgadas e batidas, fechando com um aéreo, porém, os juízes avaliaram que ele merecia apenas 6.53, o que não mudou o panorama. Buchan ficou na lanterna, com 13.43.

Novidade do Brasil, Ian Gouveia cai na estreia

Ian Gouveia entrou na bateria seguinte em uma pedreira contra os australianos Matt Wilkinson, defensor do título na Gold, e Stuart Kennedy, uma das sensações do evento em 2016. Recuperado de uma lesão no quadril, sofrida em Sunset Beach, o pernambucano que veio perpetuar o legado deixado pelo pai, Fábio Gouveia, sentiu a pressão da estreia. Única novidade do esquadrão verde e amarelo nesta temporada na elite, o calouro encontrou dificuldades para selecionar as melhores ondas. O começo foi promissor, porém, Ian acabou caindo de rendimento e terminou em terceiro lugar, com 8.13 pontos. Wilko (13.67) venceu a disputa, e Stu (8.83) ficou em segundo lugar.

Confira as baterias da 1ª fase na Gold Coast:

1: Michel Bourez (TAH) 10.27, Conner Coffin (EUA) 9.40, Jadson André (BRA) 11.46

2: Matt Wilkinson (AUS) 13.67, Stuart Kennedy (AUS) 8.83, Ian Gouveia (BRA) 8.13

3: Kolohe Andino (EUA) 11.33, Kanoa Igarashi (EUA) 3.10, Jack Freestone (AUS)10.67

4: Gabriel Medina (BRA) 16.50, Wiggolly Dantas (BRA) 10.90, Ezekiel Lau (HAV) 10.70

5: Jordy Smith (AFS) 11.93, Miguel Pupo (BRA) 11.77, Nat Young (EUA) 10.66

6: John John Florence (HAV) 16.83, Connor O´Leary (AUS) 8.20, Mikey Wright (AUS) 13.50

7: Kelly Slater (EUA) 11.20, Mick Fanning (AUS) 13.27, Jeremy Flores (FRA) 13.13

8: Julian Wilson (AUS) 16.80, Caio Ibelli (BRA) 10.90, Leonardo Fioravanti (ITA) 12.07

9: Joel Parkinson (AUS) 16.86, Italo Ferreira (BRA) 11.66, Joan Duru (FRA) 16.40

10: Filipe Toledo (BRA) 15.10, Adrian Buchan (AUS) 13.43, Frederico Morais (PRT) 15.70

11: Adriano de Souza (BRA), Josh Kerr (AUS), Bede Durbidge (AUS)

12: Sebastian Zietz (HAV), Owen Wright (AUS), Ethan Ewing (AUS)

 Por GloboEsporte.com, Gold Coast, Austrália