Praia de Itaúna é palco principal, e Barrinha é o alternativo na etapa do Circuito Mundial em Saquarema

Praia de Itaúna é palco principal, e Barrinha é o alternativo na etapa do Circuito Mundial em Saquarema

Após críticas à qualidade da água das ondas no Rio, WSL monta evento sustentável e traça planos de logística, transporte e segurança. Etapa terá acesso direto dos atletas ao mar como medida de proteção. “Passarela é necessidade”, diz Padaratz


Após quatro anos na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a etapa brasileira do Circuito Mundial será realizada em Saquarema, no litoral fluminense, com o compromisso de um evento sustentável. A Praia de Itaúna será o palco principal, enquanto a Barrinha, do outro lado da praia, foi escolhida como o alternativo. A poluição no Postinho, o cheiro de esgoto e a qualidade da onda foram contestadas pelos surfistas – alguns associaram o mal estar e sintomas como enjôos e ânsia de vômitos à água do mar. A Liga Mundial de Surfe (WSL) atendeu aos apelos e optou por uma cidade pequena e menos badalada, porém, que respira surfe e oferece mais consistência e potencial para o esporte, proporcionando condições mais propícias e desafiadoras aos atletas. Os surfistas terão acesso direto do palanque à praia, sem o contato com o público, como uma medida de proteção.

WSL etapa mundial de surfe saquarema 2017 (Foto: WSL / Smorigo)

WSL etapa mundial de surfe saquarema 2017 (Foto: WSL / Smorigo)

– Já havíamos definido a Praia de Itaúna como sede, e escolhemos a Barrinha como alternativo, do lado oposto da mesma praia, fica a 1,5km de distância do palco principal. Olhando para o mar, Itaúna fica do lado esquerdo, e a Barrinha do lado direito. Com estas duas sedes, estaremos cobrindo qualquer direção de swell (ondulação). Uma completa a outra, em qualquer vento. Seja qual for na direção do swell, teremos boas condições de surfe – disse Xandi Fontes, diretor geral da WSL na América do Sul.

Itaúna, também conhecida como Point, está situada no canto esquerdo, na mesma extensão de areia da Barrinha, porém, do lado oposto. Os tops da elite poderão surfar esquerdas longas e manobráveis, assim como direitas cavadas em direção ao canal. A diferença de profundidade entre o fundo do mar e a bancada é um diferencial, proporcionando ondas fortes até a costa.

– Já havíamos definido a Praia de Itaúna como sede, e escolhemos a Barrinha como alternativo, do lado oposto da mesma praia, fica a 1,5km de distância do palco principal. Olhando para o mar, Itaúna fica do lado esquerdo, e a Barrinha do lado direito. Com estas duas sedes, estaremos cobrindo qualquer direção de swell (ondulação). Uma completa a outra, em qualquer vento. Seja qual for na direção do swell, teremos boas condições de surfe – disse Xandi Fontes.

Visão panorâmica de Saquarema (Foto: Google Maps)

Visão panorâmica de Saquarema (Foto: Google Maps)

Praia de Itaúna: “Maracanã do surfe”

O diretor da WSL comentou sobre a importância de um lugar como Saquarema em prol da qualidade do surfe, afinal, a onda é como se fosse a quadra do esporte, sendo a areia as aquibancadas. São muitos os picos de surfe na região: Point, Casarão, Berro D’Água ou Garota de Itaúna, Barrinha e, passando à igreja, há ainda a Praia da Vila, Boqueirão, Barra Nova, Jaconé e Ponta Negra. A praia de Itaúna, descoberta por surfistas na década de 70, já foi comparada ao Havaí e ganhou o apelido de “Maracanã do surfe”.

– A cidade é menor, vai ser mais tranquilo. É mais surfe. Saquarema é uma cidade de surfe, a atração dela são as ondas, a praia… Será um evento mais relax, sem a pressão da cidade grande. Sobre manter ou não para os próximos anos, tudo dependerá de como será este ano. Se for bem, podemos manter. A condição do surfe é muito importante. A onda é a pista, é a quadra. Ter qualidade de onda foi uma reivindicação muito forte dos surfistas – explicou Xandi.

Diretor geral da WSL na América do Sul e organizador do Rio Pro, Xandi Fontes valorizou a qualidade da onda em Saquarema (Foto: Carol Fontes)

Diretor geral da WSL na América do Sul e organizador do Rio Pro, Xandi Fontes valorizou a qualidade da onda em Saquarema (Foto: Carol Fontes)

Saquarema sediou competições pela divisão de acesso (QS) em temporadas anteriores e recebeu os tops da elite do surfe em 2002. A WSL tem contado com a colaboração das autoridades e locais e está traçando um plano de logística, transporte e segurança. Uma das medidas estudadas pela entidade, em cooperação com a Prefeitura, é transformar a beira-mar em uma via de mão única e evitar maiores transtornos de trânsito.

A WSL bloqueou parte das pousadas da região para membros do staff, surfistas e espectadores, e estuda uma estratégia para atender a um grande público e oferecer segurança aos envolvidos.

– Será um desafio acomodar todo mundo. O nosso staff tem em torno de 130 pessoas, mais os surfistas e a imprensa, mas tem muita pousada, de níveis diferentes. Vai ter lugar para todos – tranquilizou Xandi.

Membro da elite por uma década, Raoni Monteiro surfou dia épico quando Saquarema foi palco do Circuito Mundial (Foto: Nilton Gibão)

Membro da elite por uma década, Raoni Monteiro surfou dia épico quando Saquarema foi palco do Circuito Mundial (Foto: Nilton Gibão)

“Passarela é uma necessidade. Não mais um adendo, é pré-requisito”, diz Teco Padaratz

Há dois anos, no Postinho, o Rio Pro teve um recorde histórico, com mais de 100 mil pessoas passando pelo evento, sendo 40 mil só na final, vencida por Filipe Toledo. Filipinho mal podia andar pelas areias no último dia de disputas e, por esta razão, foi construída no ano seguinte uma passarela para preservar a integridade física dos atletas. Um dos organizadores da etapa brasileira, Teco Padaratz afirmou que a passarela é uma necessidade.

– Hoje em dia, a passarela é uma necessidade. Não é mais um adendo, é um pré-requisito. Você manter livre o acesso dos atletas para a água e vice-versa. Montaram já um projeto, e eu estou curioso para ver como será esta estrutura – disse Teco Padaratz.

Passarela foi construída no Postinho no ano passado, para preservar integridade física dos atletas. Estrutura foi destreuída pela ressaca, mas organização montou novamente o palanque (Foto: Carol Fontes)

Passarela foi construída no Postinho no ano passado, para preservar integridade física dos atletas. Estrutura foi destreuída pela ressaca, mas organização montou novamente o palanque (Foto: Carol Fontes)

“Melhor cenário possível”, analisa organizador da etapa

Bicampeão mundial pelo QS, em 1992 e 1999, o ex-surfista conhece o pico há tempos, e valorizou a qualidade das ondas no local.

– Já surfei lá em Saquarema várias vezes. É uma das melhores ondas do Brasil, é o melhor cenário possível para a performance dos atletas. Já aconteceu campeonato em Imbituba, outra cidade pequena que proporciona sempre boas ondas – comentou Teco.

Rio Pro recebeu mais de 100 mil pessoas ao longo dos cinco dias de competição, recorde histórico de público (Foto: Reprodução/Facebook)

Rio Pro recebeu mais de 100 mil pessoas ao longo dos cinco dias de competição, recorde histórico de público (Foto: Reprodução/Facebook)

O ex-surfista e organizador do Rio Pro comentou ainda algumas medidas de preservação da vegetação local e possíveis mudanças no trânsito da cidade para evitar engarrafamentos.

– A gente vem fazendo visitas regulares a Saquarema há muito tempo. Quando soubemos que o evento sairia do Rio, iniciamos o trabalho. Tivemos de nos antecipar, fizemos o dever de casa e estamos monitorando a cidade a cada duas semanas. As autoridades locais estão cooperando. O evento rende muito para a cidade em termos financeiros. É como em uma Olimpíada, você vai aquecendo o evento antes. Estamos nos reunindo com a Prefeitura, que tem dado todo o apoio possível, desde a segurança do evento, como no volume de trânsito. Estamos estudando ter uma via de mão única, mas estamos avaliando ainda a melhor logística e a infra. Terá todo um discernimento para encontrar a forma de controlar o trânsito e a segurança local – contou Teco.

A estrutura da etapa, de 9 a 20 de maio, começará a ser montada no fim de março ou até o início de abril. O ideal é iniciar processo de construção, no mínimo, com 30 a 40 dias de antecedência.

fonte: globoesporte.globo.com

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