Jadson André vence pior ano no surfe, luta contra lesões e quer 2017 melhor


Jadson André vence pior ano no surfe, luta contra lesões e quer 2017 melhor

De férias em Natal, surfista fala das lesões que sofreu na perna esquerda durante a temporada e o risco do rebaixamento. Potiguar acredita em reviravolta neste ano

Por Luiz HenriqueNatal

No momento crucial da temporada, o surfista Jadson André transformou o que poderia ser o seu pior ano no surfe em uma história de superação e sacrifício. Há seis anos participando do circuito mundial da modalidade, o potiguar sofreu com duas lesões na perna esquerda e maus resultados. Foi preciso surfar de corpo e alma para permanecer na elite da competição. Mesmo frustrado com o baixo rendimento, não desistiu e conquistou a permanência na última chance do ano, quando chegou à semifinal na etapa do Havaí e somou os pontos necessários para figurar entre os dez melhores na repescagem e ficou na elite mundial (confira o vídeo acima).

Desde 2010, Jadson André está na divisão especial do surfe mundial. De lá para cá, foram muitos altos e baixos na carreira. No primeiro ano, venceu Kelly Slater, considerado o maior surfista da história, e conquistou a etapa brasileira do circuito. Lutou para permanecer no circuito mundial em 2011, lesionou-se e foi rebaixado no ano seguinte, quando foi para a divisão de acesso (WQS) em 2013 e retornou aos 32 melhores em 2014. Na etapa do Pipeline Masters daquele ano, disputada no Havaí, encantou os jurados ao sair de um dos maiores tubos da competição. Nas duas últimas temporadas, sofreu com os resultados, pensou em largar o surfe e teve medo de repetir o ciclo que o levou ao rebaixamento em 2013.

Jadson André surfe teahupoo (Foto: WSL/Kelly Cestari)
Jadson André sofreu com lesão e risco de rebaixamento, mas permanece na elite do surfe (Foto: WSL/Kelly Cestari)

– Tudo que passou na minha cabeça nessa temporada é que eu estava repetindo o que aconteceu em 2010, 2011 e 2012. Meu primeiro ano (na WSL) foi muito bom, o seguinte cai de rendimento e em 2012 me lesionei e fui rebaixado. Retornei em 2014 ‘lá em cima’, não surfei bem em 2015 e me lesionei esse ano. Então, eu só pensava: “tudo está acontecendo de novo”. Mas corri atrás, surfei até o fim e consegui permanecer na elite – fala o potiguar.

Meu desejo para a próxima temporada é competir 100% o ano inteiro”
Jadson André, surfista

Com o término do ano, Jadson desfruta do descanso merecido em Natal, cidade onde nasceu e se tornou surfista. Durante a reportagem do GloboEsporte.com, na praia de Ponta Negra, o surfista parou a entrevista para olhar o mar e comentar sobre as ondas e habilidade dos meninos que estão na água, transparecendo a paixão que tem pelo esporte.

Por ser uma paixão, a tristeza nas derrotas do surfe é acentuada e o leva a situações de desespero. Jadson quebrou a prancha na beira da praia em 2015, quando soube do risco de rebaixamento. Este ano, não escondeu a frustração e desabafou nas redes sociais pelo “pior ano da carreira”. No Havaí, onde conquistou a permanência, a tristeza e a frustração deram lugar a felicidade. Ajoelhado nas areias do Havaí, chorou e comemorou o resultado. Mais descansado, ainda sofre com as lesões que o prejudicaram esse ano (no tornozelo e joelho esquerdo, perna mais forte), mas alimenta a expectativa de fazer o melhor ano da carreira em 2017.

Jadson André desolado após derrota polêmica contra Julian Wilson, em Portugal. (Foto: WSL / Kelly Cestari )
Temporada de Jadson André teve momentos de frustrações e tristezas para o surfista potiguar (Foto: WSL / Kelly Cestari)

– Meu desejo para a próxima temporada é competir 100% o ano inteiro. Esse ano me machuquei em março na Austrália, logo na segunda etapa do circuito mundial, e estou com o tornozelo inchado até hoje. A segunda lesão foi aqui mesmo, em Ponta Negra. Fui surfar por lazer, peguei uma onda pequena e escutei o meu joelho dar um estalo. Não acreditei no que aconteceu, mas sabia que tinha me prejudicado e me lamentei muito – afirma.

A permanência no circuito mundial marca a carreira do surfista. Jadson André é o segundo atleta brasileiro há mais tempo na elite, atrás apenas de Adriano de Souza, o Mineirinho. Com 27 anos, o potiguar é uma referência aos surfistas mais novos, como o campeão mundial de 2014 Gabriel Medina, e, principalmente, para os garotos da Vila de Ponta Negra – comunidade onde nasceu. E não é apenas uma referência pela carreira: Jadson é um dos surfistas mais queridos pelo bom humor e companheirismo.

Participação na WSL e WQS na mesma temporada

Para permanecer na elite do surfe mundial, Jadson André disputou o Circuito Mundial (WSL) e as Séries de Qualificação (WQS) em uma mesma temporada. Pelo regulamento, é possível disputar a WQS mesmo na elite, mas aos olhos de alguns há uma impressão de injustiça. Jadson achava o mesmo, mas a conversa com companheiros mudou um pouco a sua visão sobre o regulamento.

– Reconheci que no surfe as coisas fogem um pouco do nosso controle. Por exemplo, no futebol você tem o campo e ele sempre estará lá, no basquete você tem a quadra, na natação a piscina… No surfe, as ondas não dependem de você. Então, acaba equilibrando um pouco o nível das coisas – completou.