Diretor da WSL cogita piscina de ondas de Slater no Tour Possibilidade real

Diretor da WSL cogita piscina de ondas de Slater no Tour: “Possibilidade real”

Graham Stapelberg comenta ainda sobre novas etapas na Indonésia ou na América do Sul pelo Circuito Mundial no futuro: “Avaliando as oportunidades que surgem”

Por Carol FontesRio de Janeiro

A possibilidade de realizar uma etapa do Circuito Mundial (CT) em uma piscina de ondas artificiais, como a idealizada por Kelly Slater, é cada vez mais real. A criação de uma onda artificial perfeita, a primeira tubular produzida pelo homem, era um desejo antigo do onze vezes campeão mundial. Foram muitas as tentativas frustradas para se chegar a uma formação e potência similares às ondas oceânicas, até a invenção do surfista. Mas, o que pode ser o fim da mágica e dos mistérios do esporte, para outros, é uma utopia. Em busca de atingir um maior número de pessoas e contribuir para o desenvolvimento da modalidade, a Liga Mundial de Surfe (WSL) se engajou no assunto, comprou parte dos direitos da Wave Company e planeja realizar uma etapa do Tour em uma piscina de ondas. Apesar de o calendário de 2017 ter mantido na elite as mesmas 11 etapas da temporada passada, o sonho pode virar realidade em 2018. E quem confirma a hipótese é o diretor internacional de eventos da WSL, Graham Stapelberg.

– Ter uma etapa em uma piscina de ondas artificiais é uma possibilidade forte e real. Estamos avaliando inclusive de termos uma etapa do Tour na “Kelly Slater Wave Pool”, é algo que estudamos estudando, uma possibilidade real. Estamos avaliando as possibilidades, analisando todas as venues, com o compromisso de melhorar e ajudar o no desenvolvimento do esporte. O nosso time de comissários está sempre observando as opções em potencial, mas, ainda não há nada oficial na mesa. Temos muito trabalho pela frente – disse Stapelberg.

Kelly Slater surfa em sua piscina de ondas articificias (Foto: Todd Glaser)Kelly Slater surfa em sua piscina de ondas articificias (Foto: Todd Glaser)

Em maio do ano passado, a WSL Holdings, empresa-matriz da WSL, anunciou um acordo no qual adquiriu uma participação majoritária na Kelly Slater Wave Company (KSWC), responsável pela revolucionária tecnologia de ondas artificiais. O sonho demorou a sair do papel e passou por um longo período de testes até encontrar a fórmula transformar em realidade a ideia do onze vezes campeão mundial, depois de 10 de trabalho em segredo. A parceria entre a WSL e a KSWC tem como objetivo promover o crescimento do surfe de alto desempenho no mundo e abre um leque de possibilidades para o futuro do esporte, porém, há divergência de opiniões.

– Eu prefiro o mar, a relação com a natureza. Eu gosto de ter que me posicionar para descobrir o que a natureza vai me enviar. Numa piscina, teremos sempre ondas, será ótimo para a TV, para as olimpíadas , e acredito que ate seria interessante num futuro termos uma etapa do CT, mas nada substituirá as ondas do mar – comentou Adriano de Souza, campeão mundial de 2015.

Seria uma utopia ou o fim da mágica do esporte? A pergunta é recorrente e ainda gera polêmica. Para o americano, a essência é mesclar um pouco de ambos os conceitos.

– Para mim, o surfe sempre será a aventura, as viagens e o mar, mas essa onda trará novas oportunidades para o esporte, sem sacrificar o lado fundamental e de alma que nos atrai para o surfe. Surfar ondas incríveis num ambiente controlado acrescenta uma nova dimensão para o nosso esporte. Não vai ter ninguém te rabeando e se estressando sobre quem pegou a melhor onda, pois todas na piscina são boas. Então todo mundo poderá relaxar, se divertir e se concentrar em como melhorar o seu próprio surfe – afirmou Slater, após o lançamento do projeto.

Piscina de ondas de Kelly Slater (Foto: Divulgação)Piscina de ondas de Kelly Slater virou realidade após uma década de trabalho (Foto: Divulgação)

A WSL cogita uma rede global de centros de treinamento usando a tecnologia, o que possibilita a prática do surfe mesmo nos lugares onda não há ondas. O projeto inclusive foi apresentado como uma alternativa para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 – os organizadores cogitaram o modelo, no entanto, optaram por realizar a disputa em Chiba, cidade vizinha à capital japonesa, onde estão concentrados os principais surfistas do país do sol nascente.

Para Slater, a parceria entre a entidade e a KSWC, além de um sonho, promove uma maior democratização do surfe, já que é capaz de atingir um maior número de pessoas, disseminando o esporte em lugares até então inimagináveis.

– Ver essa parceira inédita com a WSL e possibilitar o avanço global deste esporte maravilhoso, vai além dos meus sonhos. Isso vai democratizar o surfe e proporcionará oportunidades incríveis em relação ao treinamento dos atletas, além de incentivar futuros praticantes em lugares sem acesso ao mar – acrescentou o onze vezes campeão mundial.

A WSL representa quase dois mil surfistas, seja na elite ou na divisão de acesso do surfe, assim como em disputas de ondas grandes, longboard e pela categoria júnior, para atletas até 18 anos. A tecnologia é flexível e aplicada em ondas iguais, o que permite aos seus praticantes atingir um nível elevado de desempenho, com o auxílio de câmeras e sensores em ângulos variados. É algo que contribui tanto para a evolução dos atletas no alto rendimento, como para o desenvolvimento de surfistas iniciantes e intermediários.

Às vezes, usamos o QS como ponto de partida para avaliar o ambiente, entender a dinâmica do local, os desafios e a viabilidade de realizar um campeonato. A Indonésia tem grandes ondas, assim como em praias da Ásia, da América do Sul e Central. Estamos estudando os cenários e cogitamos ter novamente uma etapa na Indonésia no CT ou em algum lugar da América do Sul. Nós estamos sempre tentando melhorar, buscando o desenvolvimento do surfe, avaliando as possibilidades e as oportunidades que surgem. Queremos grandes campeonatos no QS e no CT”
Graham Stapelberg, diretor internacional de eventos da WSL

Embora o surfe seja um esporte que dependa da natureza, com as piscinas artificiais, não há mais o problema da falta de ondas. A viabilidade de criar uma grande arquibancada no entorno do local de disputa também é atraente, porém, a mágica e o mistérios do oceano jamais perderão o seu espaço, e a intenção é sempre buscar as melhores ondas mundo afora.

Expandir os horizontes é uma meta constante da WSL. Segundo Graham Stapelberg, a entidade tem estudado uma série de possibilidades para o futuro. Além de cogitar etapas em lugares da América do Sul e Central, a Indonésia também está nos planos. O sucesso de etapas do QS em locais como ilhas Mentawai, Nias e Keramas, em Bali, reforçou a hipótese de se realizar uma etapa pela elite em um dos picos mais perfeitos do mundo. Nada foi definido, porém, é muito provável que uma novidade seja confirmada em 2018.

– Às vezes, usamos o QS como ponto de partida para avaliar o ambiente, entender a dinâmica do local, os desafios e a viabilidade de realizar um campeonato naquele local. A Indonésia tem grandes ondas, assim como em praias da Ásia, da América do Sul e Central. Estamos estudando os cenários e cogitamos ter novamente uma etapa na Indonésia ou em algum lugar da América do Sul no CT. Nós estamos sempre tentando melhorar, buscando o desenvolvimento do surfe, avaliando as possibilidades e as oportunidades que surgem. O QS pode ser um ponto de partida para desenvolver um evento no CT. Mas queremos fazer grandes campeonatos tanto no QS e como no CT – disse Graham.

Enquanto a WSL não confirma oficialmente a realização de uma etapa na Kely Slater Wave Company, só nos torcer pelo palco ou pela inclusão de outros picos de sonho no Tour em 2018.

Kelly Slater na piscina de ondas (Foto: Divulgação)Kelly Slater observa o tubo de chocolate contínuo em sua piscina de ondas na Califórnia (Foto: Divulgação)

Related posts